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Obesidade infantil: uma epidemia global!

- 2014-10-03 15:38:23

A obesidade infantil já é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde. Estima-se que existam 43 milhões de crianças menores de 5 anos com sobrepeso em todo o mundo. No Brasil, as prevalências de excesso de peso em crianças menores de 5 anos variam de 2,5% entre as classes econômicas baixas a 16,6% nas mais elevadas.
Um estudo realizado no sul do Brasil acompanhou 856 indivíduos desde a vida intrauterina até os 23 anos de idade e evidenciou que o ganho de peso intrauterino e nos primeiros 2 anos de vida estão associados a um aumento de gordura abdominal em adultos jovens.
A detecção precoce do excesso de peso infantil pode contribuir para a redução dos riscos para hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes mellitus tipo II, problemas ortopédicos e transtornos psicossociais.
O aumento da prevalência de obesidade infantil associa-se com mudança de estilo de vida (menos brincadeira ao ar livre e maior sedentarismo) e com hábitos alimentares (maior apelo comercial de alimentos ricos em açúcares simples e maior facilidade no preparo de alimentos gordurosos).

Hábitos como pular o café da manhã, beliscar ao longo do dia, jantar consumindo grande quantidade calórica, ingerir variedade limitada de alimentos e em grandes porções, consumir líquidos calóricos (refrigerantes, achocolatados, sucos concentrados tipo néctar) são indutores de obesidade.

Fatores que influenciam o comportamento alimentar na infância:

- A família e suas características, atitudes dos pais (crianças seguem padrões alimentares dos pais) e amigos, valores culturais e conhecimentos sobre alimentos;
- Fatores internos como características psicológicas, imagem corporal, valores e experiências pessoais,
- Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida (protege contra a obesidade);
- Dificuldade no controle da saciedade: quando as crianças são obrigadas a comer tudo que é servido (repetidamente), podem perder o ponto de saciedade;

O que pode ser feito?

- Diminuir o tamanho das porções dos alimentos;
- Diminuir a exposição à propaganda de alimentos e evitar comer assistindo TV;
- Reduzir ou evitar consumo de refrigerantes;
- Aumentar consumo de frutas, vegetais e fibras montando um prato colorido;
- Evitar o uso do alimento como recompensa (ex.: Se você se comportar, ganhará um doce);
- Reduzir consumo de alimentos ricos em gordura (preparações prontas, pizzas, fast food);
- Comprar e preparar junto com a criança os alimentos saudáveis para lanches.

A publicidade de produtos prontos para consumo e ultraprocessados domina os anúncios comerciais sobre alimentos, veicula informações incorretas e prejudiciais sobre alimentação e atinge sobretudo crianças e jovens. Esclareça às crianças e aos jovens que a função da publicidade é essencialmente
aumentar a venda de produtos e não informar e, menos ainda, educar as pessoas.

Fonte:
Müller et al. Excesso de peso e fatores associados em menores de cinco anos em populações urbanas no Brasil. Rev Bras epidemiol (online) 2014; 17 (2): 285-296.
González et al. Growth from birth to adulthood and abdominal obesity in a Brazilian birth cohort. Int J Obes (Lond) 2010; 34(1): 195-202.
De Mello et al. Obesidade infantil: como podemos ser eficazes? Jornal de Pediatria. 2004; 80(3):173-182

Elaborado por Nutricionista Larissa Cohen